o que é que a ciência diz sobre a influência da espiritualidade no bem-estar?

Tenho a sorte de receber muitas mensagens vossas, às quais respondo sempre com o maior gosto. Para além de todo o carinho, recebo algumas propostas para temas interessantes e a espiritualidade é sempre muito requisitada.

Nos últimos tempos tem existido um grande interesse em definir espiritualidade e em estudar o impacto que esta tem na saúde e bem-estar.

Antes de mais, quando falamos de espiritualidade, temos de ter em conta que não existe apenas uma definição universal. Segundo Fisher, citado pela Professora Doutora Maria João Gouveia, a saúde espiritual, de uma forma geral, abrange uma multidimensionalidade de factores, que incluem uma «harmonia e qualidade das relações que as pessoas estabelecem consigo próprias, com os outros, com o ambiente e com o Outro transcendente».

Outro transcendente? Mas espiritualidade é sinónimo de religião?

Ainda que durante muito tempo, a religião e espiritualidade tenham sido sinónimos, actualmente já existem vários autores que os distinguem – apesar das suas semelhanças. Até porque, hoje em dia, existe um elevado número de pessoas que se considera «espiritual mas não religiosa».

Quando falamos de religião, temos em conta que esta envolve crenças, práticas e rituais relacionados com o sagrado/divino. Já a espiritualidade é um pouco mais complicada de definir, por ser mais pessoal e subjectiva.

Segundo a bibliografia, existem algumas características comuns no que toca a diferentes definições para  a espiritualidade, sendo que se podem destacar:

1- Relação com algo, para além das dimensões físicas, psicológicas e sociais;

2- Relação com a busca de um propósito ou sentido para a vida;

3- Ser uma experiência subjectiva;

4- Inclui uma conexão positiva com a natureza e com os outros.

Como disse, actualmente tem existido um enorme interesse nesta área, principalmente porque parece que a espiritualidade pode ser um precedente no que toca ao bem-estar, nomeadamente na relação com afectos positivos, apoio social, auto-estima, desenvolvimento pessoal, satisfação e felicidade.

Apesar de ainda não existir um consenso no que concerne ao porquê desta relação e quais os mecanismos ou estilos de vida que contribuem, a verdade é que já existem vários estudos que se debruçam sob o impacto da espiritualidade, em pessoas que lidam com várias situações stressantes – incluindo doenças degenerativas e terminais – visto que esta parece reduzir o stress, influenciando a prevalência de emoções positivas.  Paralelamente, encontrar um sentido e propósito para a nossa vida, afecta a nossa perspectiva perante a mesma, como também, a existência de algo transcendente, permite uma maior confiança e respostas a questões existênciais como «de onde viemos», «porque estamos aqui», etc.

A relação com os outros, a empatia, a compaixão e altruísmo também parecem ser fulcrais, consistindo num maior suporte social, conexão e emoções positivas.

No meu caso, quando comecei a explorar a minha espiritualidade de uma forma mais profunda, consegui sentir uma conexão espiritual que me permitiu amar incondicionalmente, e ver toda a beleza que me envolve e que outrora parecia não existir. Posso dizer que as influências orientais tiveram um grande papel, visto que a meditação e o yoga, ao me ajudarem na maior conexão comigo, abriram-me os horizontes e mostraram-me uma energia que desconhecia. Também, o voluntariado consciencializou-me, para a importância de uma maior conexão com o outro e com o Mundo no geral.

 «todas as pessoas surgem neste planeta com um objectivo específico e um conjunto único de talentos. Se encontrarem o ambiente propício, as sementes desabrocham e permitem-nos expressar os nossos dons neste mundo».

Shankara

Koenig, H. G. (2012). Religion , Spirituality , and Health : The Research and Clinical Implications, 2012. https://doi.org/10.5402/2012/278730
Pinheiro Morais Gouveia, M. J. (2011). «Flow disposicional e o bem-estar espiritual em praticantes de actividades físicas de inspiração oriental», 286. Retirado de http://repositorio.ispa.pt/bitstream/10400.12/1226/1/TES GOUV1.pdf

Write a Comment